FALAR e FAZER
Entre o falar e o fazer há uma distância maior que daqui pra Lua. Assim é que, do dia três ao dia oito de março de 2008 a TV Globo promoveu uma campanha para colher votos em uma urna eletrônica instalada cada dia num bairro carioca, a começar pelo calçadão de Bangu e findar no calçadão da Avenida Atlântica em Copacabana, onde a população podia optar pela Conservação da natureza, Combate à dengue, Manter a cidade limpa, Respeito aos outros, Seguir as leis de trânsito, Preservar o patrimônio público.
Escolhi a sexta-feira para votar na CONSERVAÇÃO DA NATUREZA no calçadão de Madureira, onde a própria emissora informou que estaria a partir das dez horas. Depois de fazer outras coisas, faltando dez minutos para a hora marcada já estava eu no local aguardando o momento de efetivar minha opção, mas a TV Globo não chegou na hora estabelecida. Dez horas e trinta minutos fui embora sem que ela aparecesse. Como se vê ela fala uma coisa e faz outra, desrespeitando seus telespectadores e contradizendo o que prega.
SALMO 23
“O Senhor é meu pastor
Nada me faltará”.
Se na verdade é assim
Por que não comemorar
Com bom vinho pão e queijo
Do leite da cabra preta
Que é da raça angorá?
Tem gordura de montão
Mas quem vai se importar?
Desse queijo sou freguês
E evito as cartucheiras
Com o salmo vinte e três!
Por que não mandar às favas
As beatas de plantão?
Venham a mim só as cachorras,
Latindo em cio ao seu cão!
MAIS UM POUCO DE NARRATIVA
A Loba falou que deixou de ver muitas coisas no seu caminhar. Não é diferente comigo; se não deixo de ver, deixo de narrar, como no caso do gato, que calmamente seguia seu roteiro sem se incomodar com as agressões verbais, verbais não, caninas, que lhe dirigiam os cachorros de trás das grades dos portões de suas casas, digo casas de seus donos. Aquele gato não parecia de raça, mas era muito raçudo; não é qualquer vira lata que lhe tira a tranqüilidade, e mesmo se fosse um buldogue, com suas mandíbulas de leão, para que serve o pulo do gato? Havia até um que latia lá do segundo andar, mas nada disso lhe tirava a elegância no caminhar; parece que seu código genético lhe dá a certeza de que cachorro não voa.
Na feira, então, o que deixei de narrar nem é bom imaginar! Como aquele atum com olho de peixe morto me acompanhando enquanto passava por sua barraca, digo barraca de seu dono. Ele me passou a impressão de querer mudar de dono, mas fingi não entender e segui na busca de alimentos sadios, (coisinha difícil nesse mundo dos agrotóxicos e outros venenos a nos espreitar) mesmo com o barraqueiro dizendo que eu ia estar comendo um produto de primeira, ao que lhe respondi que preferia comer, em vez de estar comendo. Não sei se ele entendeu... E chega, que essa história não tem fim. Se continuo será um infindável desfile de berinjelas, batatas, beterrabas... Todas querendo seu minuto de glória.
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Sei que sozinho não consigo convencer a humanidade louca de que o automóvel é um instrumento assassino sob mil e um aspectos, e que o trem (de boa qualidade) é um excelente meio de transporte. Mas, como o beija-flor do Betinho, faço a minha parte. E você, faz o que pra melhorar a qualidade de vida no planeta Terra?
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Frase do mês: “A natureza é o único livro que oferece um conteúdo valioso em todas as suas folhas”. Goethe.
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Frase de sempre: “As árvores são poemas que a Terra escreve para o Céu”. Kahlil Gibran.
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Frase da vez: “A amizade é uma semente resistente que brota e floresce nos corações”. Cristina Beloni.
Escrito por Jota Effe Esse às 03h03
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