DESPREZO
Por que vocês não vão todas pra puta que as pariu, folhas de papel em branco, em vez de ficarem aí esperando ser possuídas por meu pênis, digo pencil, digo lápis? Eu não quero mais nada com vocês, agora amo as teclas de meu teclado, que é meu moderno harém, acoplado ao oásis de meu computador. É nelas que descarrego minhas tensões, transformo em prazer meu tesão, planto meus sonhos, despejo minhas loucuras! E saio cantando “Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar...”.
-- Será que você tem orgasmos com elas? – Não, não chego a tanto. Mas com vocês também não; era um relacionamento bem insosso, cansativo, que freqüentemente me levava à desilusão.
Esperem um pouco, vou desligar a TV, não agüento mais ficar ouvindo aquela chata propaganda não sei de quê, onde um pirralho grita: Mãe, acabei!
JÁ NÃO É
A poesia medieval de Pessoa
Reverbera ainda agora
Como outrora
Sem se importar
Se é poente ou aurora
Mas meu coração
Já não canta como antes
Já não é aquele amante
Que traz flores
Como sempre fazia
Com outros amores
O que mudou?
O mundo, ou eu?
Se o mundo,
Por que não vejo?
Se eu, o que desejo?
-0-0-
Sei que sozinho não consigo convencer a humanidade louca de que o automóvel é um instrumento assassino sob mil e um aspectos, e que o trem (de boa qualidade) é um excelente meio de transporte. Mas, como o beija-flor do Betinho, faço a minha parte. E você, faz o que pra melhorar a qualidade de vida no planeta Terra?
Escrito por Jota Effe Esse às 03h54
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